Como evitar lesões no Beach Tennis



Sobre o esporte

O Beach Tennis foi criado na década de 80 na Itália, é um esporte que mistura o tênis tradicional, vôlei de praia e badminton, porém apresentando regras próprias. Somente em 2008 foi trazido ao Brasil, onde facilmente se espalhou por milhares de cidades, caindo no gosto do brasileiro, sendo um dos esportes que mais cresceram durante a pandemia de covid-19. O sucesso do esporte se deve muito a facilidade em aprender a jogar, além de ser muito divertido. É uma ótima opção de esporte ao ar livre, e para quem quer melhorar o condicionamento físico e cuidar da saúde.

Por ser um esporte relativamente novo, são poucos os estudos relacionados a este tema, porém é sabido que as lesões crônicas da modalidade tendem a acometer mais os membros superiores (ombro, cotovelo e punho) e as lesões agudas geralmente acometem os membros inferiores (quadril, joelhos e tornozelos).

Sobre as lesões

As lesões são mais frequentes nos membros superiores, especialmente nos ombros e cotovelos, sendo as tendinites e as lesões por sobrecarga as mais encontradas. Dentre elas podemos citar a epicondilite lateral no cotovelo (conhecida como cotovelo do tenista – leia mais), relacionada inicialmente a processo inflamatório por sobrecarga de atividade, podendo evoluir para quadro de dor crônica de difícil tratamento devido ao processo degenerativo nos tendões. Os pacientes com epicondilite lateral apresentam dor na região lateral do cotovelo, principalmente durante atividades de esforço para estender o punho.

As tendinites do ombro talvez sejam as lesões mais frequentes relacionadas ao beach tennis, chamamos a atenção para a tendinopatia do manguito rotador (conjunto de quatro músculos na região do ombro – leia mais) e do músculo bíceps. Os sintomas mais comuns apresentados são a dor no ombro e dificuldade para elevar o braço. As lesões no punho são raras, e as tendinites por sobrecarga são a principal causa de dor nessa região.

O tratamento das tendinopatias pode ser orientado por um ortopedista, porém consiste basicamente em proporcionar descanso aos tendões com repouso, associado a fisioterapia, adequação da técnica esportiva e se necessário uso de medicamentos e infiltrações.

Já as lesões nos membros inferiores estão relacionadas a eventos agudos e traumáticos, como as torções, contusões musculares e até mesmo fraturas. Geralmente as lesões são ocasionadas pela irregularidade do terreno, onde a areia aumenta o risco de entorses, além de exigir força muscular intensa para o deslocamento. Não podemos esquecer também das lombalgias, dor lombar devido ao esforço físico exigido pelo esporte, queixa também bastante comuns dos atletas de beach tennis.

Algumas dicas para evitar lesões no Beach Tennis:

– Fazer aquecimento adequado é muito importante para toda prática esportiva, e não é diferente no Beach Tennis. Pelo menos 10 minutos de exercícios que simulem os gestos do esporte, porém com menor intensidade, incluindo trabalho aeróbico, são essenciais antes do início dos jogos e treinos. Os estudos não relatam benefícios com alongamentos momentos antes da atividade esportiva.

– Uso de equipamentos adequados e de boa qualidade, uma vez que raquetes muito pesadas ou inadequadas para iniciantes, podem causar sobrecarga muscular, propiciando ao maior risco de lesões.

– Técnica adequada na batida da bola. Uma das principais causas de lesões é a execução errada dos movimentos, nesse momento um bom professor é indispensável para quem está começando no esporte ou sofrendo com lesões, sendo assim possível corrigir vícios de movimentos e atitudes que ofereçam riscos de lesão.

– O condicionamento físico aliado a treinamento de fortalecimento e alongamento muscular proporciona maior resistência e equilíbrio das articulações e das estruturas musculares e tendíneas, diminuindo a incidência de lesões. Um profissional de educação física poderá ajudar os atletas nesse condicionamento, não esquecendo do trabalho aeróbico com melhora da capacidade cardiopulmonar. 

– Por último e não menos importante, se mesmo com todas as atitudes preventivas o praticante de beach tennis ainda sofre com lesões e dores crônicas, o melhor caminho é procurar auxílio com um médico ortopedista especialista, que com certeza poderá auxiliar no tratamento e recomendações para que possa retornar ao esporte o mais breve possível

Como mensagem final, a prevenção é a melhor maneira de lidar com as lesões. Para aqueles iniciantes e também aqueles já acostumados com o esporte, porém que vem sofrendo com lesões, o primeiro passo é procurar orientação de um educador físico. Um bom professor poderá auxiliar na melhora dos gestos esportivos e no condicionamento físico, etapas essenciais na prevenção de lesões.

Caso sinta dor ou desconforto, procure um ortopedista especialista, ele poderá orientar seu tratamento e conduzi-lo ao retorno do esporte.

Bursites e tendinites

Alívio da dor e equilíbrio do movimento em cada gesto.

A inflamação nos tendões e bursas causa dor e dificuldade nos movimentos articulares. O tratamento é focado em controlar a inflamação, ajustar a carga nas articulações e corrigir a biomecânica por meio de exercícios específicos.

O objetivo é devolver conforto e função, prevenindo novas crises e promovendo uma recuperação completa e duradoura.

Luxação do ombro

Estabilidade e confiança para voltar a se movimentar sem medo.

A sensação de que o ombro “sai do lugar” gera insegurança e limita atividades simples. A reabilitação busca restaurar o controle muscular e a estabilidade da articulação.

Em casos recorrentes a cirurgia pode ser o caminho. A reconstrução artroscópica oferece correção precisa e duradoura. O tratamento devolve segurança, permitindo retomar esportes, trabalho e rotina com confiança e tranquilidade.

Epicondilite lateral

Força e desempenho recuperados com reabilitação direcionada.

Dor na região lateral do cotovelo ao segurar ou levantar objetos pode indicar uma sobrecarga nos tendões. O tratamento combina orientação especializada, carga terapêutica progressiva, órteses e estratégias para reequilíbrio muscular.

Quando necessário, procedimentos minimamente invasivos ajudam na recuperação. O foco é eliminar a dor, restaurar a força e devolver confiança aos movimentos diários e esportivos.

Tendinite calcária

Alívio da dor e remoção do cálcio para um ombro sem limitações.

O acúmulo de cálcio nos tendões do ombro causa dor intensa e restrição de movimento. O tratamento busca controlar a inflamação e reabsorver os depósitos com segurança — seja por medicamentos, fisioterapia ou procedimentos minimamente invasivos.

Quando a dor persiste, a artroscopia remove o cálcio e restaura a função articular. O foco é aliviar o desconforto e devolver a liberdade de movimentar-se sem dor.

Capsulite adesiva - "Ombro Congelado"

Movimento recuperado com paciência, terapias e cuidado contínuo.

A capsulite adesiva causa dor intensa e rigidez progressiva no ombro, tornando até tarefas simples um desafio. O tratamento combina analgesia, mobilização e exercícios para devolver a amplitude dos movimentos.

Nos casos mais resistentes, bloqueios e infiltrações, assim como a liberação artroscópica podem acelerar o processo de recuperação. Cada etapa é planejada para aliviar a dor e reconquistar a liberdade funcional do ombro de forma segura e gradual.

Lesões do manguito rotador

Recuperar a força e o movimento começa com o cuidado certo.

A dor ao levantar o braço, a perda de força e as limitações nos gestos simples do dia a dia são sinais clássicos de lesão no manguito rotador. O tratamento é escalonado: inicia-se com fisioterapia orientada, controle da dor e infiltrações específicas.

Quando necessário, a artroscopia permite reparar os tendões com mínima agressão. O objetivo é restaurar mobilidade, força e qualidade de vida — devolvendo liberdade para cada movimento.

Bursite e Tendinite

A bursite é a inflamação da bursa, uma bolsa que reduz o atrito entre tendões e ossos. As principais causas são as alterações estruturais na forma da articulação, desequilíbrio muscular e sobrecarga em atividades esportivas ou de trabalho laborais.

Sintomas: Dor ao movimentar a articulação, piora ao deitar e perda de força em casos graves.

Tratamento: Conservador com repouso, medicação, fisioterapia e orientações. Em casos com maior gravidade, tratamentos minimamente invasivos com infiltração ou até mesmo cirurgia por vídeoartroscopia podem ser utilizados.

Tendinite

A tendinite é a inflamação dos tendões, estruturas que conectam músculos aos ossos. No ombro, afeta frequentemente os tendões do manguito rotador e do bíceps. No cotovelo, está relacionada às epicondilites lateral e medial.

Causas: Traumas ou esforço repetitivos, alterações anatômicas e desequilíbrios musculares.

Sintomas: Dor ao movimentar o ombro, piora ao deitar e perda de força em casos graves.

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico: é baseado no exame médico detalhado e exames de imagem.

Tratamento: depende do estágio da doença, variando desde uso de medicamentos, fisioterapia e exercícios rotineiros, podendo passar por infiltrações para alívio da dor, até chegar ao tratamento cirúrgico em casos mais graves.

Prevenção

Exercícios regulares, alongamento, fortalecimento muscular e boa postura ajudam a prevenir bursite e tendinite.

Luxações do Ombro

Causas e Fatores de Risco

A luxação do ombro ocorre quando há deslocamento entre os ossos da articulação, sendo a mais comum do corpo devido à sua grande mobilidade. Já a instabilidade do ombro é a sensação de que o ombro pode sair do lugar, podendo ser causada por traumas, microtraumas repetitivos (comuns em atletas) ou hipermobilidade articular.

Traumas diretos: quedas, esportes de contato e acidentes.

Hipermobilidade Articular (“frouxidão ligamentar”): condição que predispõe a luxações sem necessidade de trauma.

Tipos de Luxações

Traumática: mais comum, causada por impactos.

Atraumática: ocorre sem histórico de trauma significativo.

Direção da Luxação:

As luxações anteriores são as mais frequente Anterior (90% dos casos), causadas em sua maioria por traumas com o “braço aberto”.

Luxações posteriores: menos frequentes, podem ser causadas por traumas diretos no ombro assim como por microtrauma de repetição principalmente em atividades esportivas como natação, academia e lutas.

Multidirecional (mais comum em pessoas com hipermobilidade).

O diagnóstico exige a experiência de um especialista para orientar os exames mais adequados e assim orientar um tratamento personalizado visando devolver o paciente às suas atividades habituais.

Inicialmente o tratamento clínico visa o fortalecimento muscular e orientações de adaptações nas atividades diárias e gestos esportivos. Para aqueles que apresentam episódios de deslocamento recorrente após lesão traumática inicial, o tratamento muitas vezes requer abordagem cirúrgica para restabelecer a estabilidade e confiança do paciente na realização de suas atividades laborais e esportivas. O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para evitar recorrências e complicações.

Epicondilite Lateral

A epicondilite lateral, conhecida como “cotovelo do tenista”, é a principal causa de dor na lateral do cotovelo, afetando entre 1% e 3% da população, especialmente adultos de meia-idade. Apesar do nome, não é exclusiva de tenistas, sendo comum em pessoas que realizam movimentos repetitivos do punho, como digitadores, trabalhadores manuais e praticantes de esportes como tênis, golfe e musculação.

O estresse repetitivo no movimento de extensão do punho e dedos da mão causam um processo de inflamação e degeneração na origem dos músculos extensores na região lateral do cotovelo, especialmente o tendão do músculo extensor radial curto do carpo (ERCC).

Causas e Fatores de Risco

Movimentos repetitivos e sobrecarga podem dificultar a regeneração dos tendões, levando a um processo de degeneração crônico, inflamação e até pequenos rompimentos.

Sintomas

Dor na lateral do cotovelo, que pode ser sentida ao tocar a região (epicôndilo lateral).

Dor ao carregar ou levantar objetos.

Desconforto ao estender o punho contra resistência.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e exame físico.

O tratamento pode incluir fisioterapia, imobilização temporária do punho, medicação e, em casos mais graves, procedimentos minimamente invasivos.

A reabilitação adequada e o ajuste das atividades são fundamentais para prevenir recorrências.

Tendinite Calcárea

A tendinite calcárea é uma condição dolorosa do ombro causada pelo depósito de cálcio nos tendões, afetando principalmente os tendões do manguito rotador no ombro, em especial o supra-espinal e, em menor grau, o do infra-espinhal.

Causas e Fatores de Risco

A origem da calcificação ainda não é totalmente compreendida.

Pode estar relacionada a tendinites prévias. Mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos.

Sintomas mais comuns

Dor repentina e de forte intensidade, que pode irradiar para o braço, e limitação de movimentos.

Dor variável: pode ser leve e crônica, durando meses, ou intensa e repentina, especialmente na fase de reabsorção da calcificação.

Dificuldade de movimentação do ombro em casos mais avançados.

Diagnóstico e Tratamento

Radiografia (Rx simples) é o exame principal para identificar a calcificação.

Ultrassom e ressonância magnética auxiliam em casos mais complexos, avaliando possíveis lesões associadas.

O tratamento depende da fase da doença e pode incluir medicação, fisioterapia e, em alguns casos, procedimentos minimamente invasivos.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são essenciais para aliviar os sintomas e restaurar a função do ombro.

Capsulite Adesiva

A capsulite adesiva, ou “ombro congelado”, é uma síndrome caracterizada por dor intensa e perda progressiva dos movimentos do ombro. Ocorre devido a um processo inflamatório intenso e crônico que provoca aderências na cápsula articular, reduzindo a quantidade de liquido articular, limitando a mobilidade da articulação.

Causas e Fatores de Risco

Pode ter origem autoimune ou genética, embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida. Na maioria das vezes não tem causa aparente.

Afeta principalmente mulheres entre 40 e 60 anos.

Está associada a doenças como diabetes, disfunções da tireoide, doenças cardiovasculares, ansiedade e depressão.

Pode ocorrer após traumas, imobilizações prolongadas ou cirurgias.

Sintomas Principais

Dor progressiva no ombro, mais intensa à noite, prejudicando o sono, limitação dos movimentos, especialmente das rotações interna e externa, dificultando atividades diárias como vestir roupas e pentear o cabelo.  o cabelo.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é baseado no exame médico detalhado e exames de imagem.

O tratamento depende do estágio da doença, variando desde uso de medicamentos, fisioterapia e exercícios rotineiros, podendo passar por infiltrações para alívio da dor, até chegar ao tratamento cirúrgico em casos mais graves.

Evolução da Doença (4 Estágios)

Pré-congelamento: dor noturna sem perda de mobilidade significativa.

Congelamento: dor intensa e início da restrição dos movimentos.

Maturação: redução da inflamação, melhora parcial da dor e rigidez articular severa.

Descongelamento: melhora da dor, e melhora gradual da mobilidade.

O diagnóstico precoce e tratamento adequado são essenciais para evitar a progressão da doença, que pode durar até dois anos de evolução, possibilitando assim o restabelecimento da função e recuperar a funcionalidade do ombro.

Lesão dos Tendões do Manguito Rotador

O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos responsáveis pela estabilidade e mobilidade do ombro. Suas lesões, principalmente no tendão supraespinhal, são uma das principais causas de dor e limitação funcional.

Sintomas mais comuns: dor ao levantar o braço e com piora no período noturno, dificuldade em movimentar o ombro além de perda de força.

Causas: degeneração natural, impacto repetitivo, alterações anatômicas, tabagismo, fatores genéticos ou traumas.

Quem: As lesões causadas pelo processo degenerativo natural fazem com que as pessoas com idade acima de 60 anos tenham maior chance apresentar o problema. Trabalhos com esforço repetitivo e atividades esportivas também podem ser um fator de risco.

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico: exame clínico detalhado e exames de imagem como radiografia, ultrassom e ressonância magnética confirmam o diagnóstico.

Tratamento: inicialmente as medidas não cirúrgicas como fisioterapia, medicação e infiltrações são indicadas. Casos mais graves e que não melhora podem exigir cirurgia. Técnicas minimamente invasivas como a artroscopia são uma ótima opção de tratamento cirúrgico.

Recuperação: pós-operatório inclui imobilização inicial e reabilitação precoce progressiva, podendo levar até seis meses para retorno completo às atividades.

A prevenção inclui exercícios regulares, fortalecimento muscular e cuidados com movimentos repetitivos. Para um diagnóstico preciso e tratamento adequado, procure um especialista em cirurgia de ombro e cotovelo.