Ortopedista explica a um paciente as diferenças entre dois modelos de prótese de ombro usando um modelo anatômico

Prótese de ombro: diferenças entre a anatômica e a reversa

A prótese anatômica e a reversa substituem partes da articulação do ombro, mas organizam seus componentes de maneiras diferentes. Essa diferença importa porque cada modelo depende de estruturas específicas para ajudar a movimentar o braço. A indicação considera, entre outros fatores, o estado dos tendões do manguito rotador, dos ossos e a função que a pessoa deseja recuperar.

O que mais importa na escolha do modelo

  • A prótese anatômica mantém a relação habitual entre a cabeça do úmero e a cavidade da escápula.
  • A prótese reversa troca a posição desses componentes e pode ser considerada quando o manguito rotador está gravemente comprometido.
  • O nome do implante, por si só, não define qual é adequado: diagnóstico, exame físico e imagens precisam ser avaliados em conjunto.
  • A decisão também leva em conta as atividades, as expectativas e as condições de saúde de cada paciente.

Como os dois tipos de prótese funcionam

A prótese anatômica mantém o encaixe natural

Na prótese anatômica, o componente arredondado substitui a cabeça do úmero, enquanto outro componente reveste ou substitui a superfície da glenoide, a cavidade da escápula. O conjunto reproduz a disposição geral da articulação original.

Para que essa configuração funcione como planejado, é importante avaliar o manguito rotador. Esse grupo de tendões participa da movimentação e da estabilidade do ombro. Se estiver muito lesionado ou sem condições de cumprir sua função, o modelo anatômico pode não ser a opção mais apropriada.

A prótese reversa muda o ponto de apoio

Na reversa, a esfera é posicionada no lado da escápula e o encaixe correspondente no úmero. Essa configuração altera a mecânica da articulação e permite que o músculo deltoide tenha papel mais importante na elevação do braço, mesmo quando o manguito rotador está gravemente comprometido.

Isso não significa que o deltoide, sozinho, resolva qualquer limitação, nem que a prótese reversa seja indicada para toda lesão de tendão. A integridade muscular, a condição óssea e o motivo da dor também precisam ser considerados.

Modelos anatômicos lado a lado mostram a configuração convencional e a invertida da prótese de ombro

Em quais situações cada modelo pode ser considerado?

A prótese anatômica pode ser considerada em algumas situações de desgaste articular quando o manguito rotador está funcional e há condições para fixar os componentes. Já a reversa pode ser avaliada em casos selecionados de artrose associada a lesão extensa do manguito, fraturas complexas ou outras situações em que a mecânica habitual do ombro não oferece suporte adequado.

Esses exemplos não substituem a avaliação: duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter condições diferentes e precisar de planos distintos. Exames de imagem ajudam a analisar o desgaste, o formato da glenoide e os tendões, mas devem ser interpretados junto com a história e o exame físico.

Aspecto Prótese anatômica Prótese reversa
Disposição dos componentes Imita o encaixe habitual Inverte a posição da esfera e do encaixe
Estrutura importante Manguito rotador funcional Deltoide funcional, além de avaliação das demais estruturas
Contexto possível Desgaste articular com tendões preservados Alguns casos com manguito muito comprometido ou fratura complexa
Indicação Individual, após avaliação clínica e dos exames Individual, após avaliação clínica e dos exames

Como saber qual opção faz sentido para cada caso?

A escolha não deve se basear apenas na idade ou em uma imagem isolada. O ortopedista considera a origem dos sintomas, a amplitude dos movimentos, a força, o estado dos tendões, a qualidade óssea e as necessidades da pessoa no cotidiano.

Também é importante conversar sobre o que cada alternativa pode oferecer e quais são suas limitações. A cirurgia não é automática diante de uma alteração em exame: tratamento clínico, reabilitação e outras condutas podem ser avaliados conforme o diagnóstico e os sintomas.

Na consulta, leve exames anteriores e relate quais movimentos provocam dor, há quanto tempo os sintomas existem e quais atividades são mais importantes para você. O Dr. Oreste Carrazzone, ortopedista com atuação em ombro e cotovelo em São José do Rio Preto, realiza avaliação para orientar a investigação e discutir opções individualizadas.

Cirurgia e reabilitação exigem planejamento individual

O tempo da cirurgia, a necessidade de internação, o uso de tipoia e o início dos exercícios variam conforme o procedimento, as condições de saúde e a orientação da equipe. Por isso, um prazo genérico não substitui o plano definido para cada paciente.

A reabilitação é parte importante do cuidado, mas precisa respeitar as etapas prescritas. No começo, pode haver restrições a certos movimentos ou esforços. A progressão dos exercícios e o retorno às atividades são ajustados de acordo com a avaliação e a evolução do ombro.

Dor persistente, piora inesperada ou dificuldade fora do que foi explicado pela equipe devem ser comunicadas ao profissional responsável. Se você está em dúvida sobre a indicação, uma avaliação presencial ou por telemedicina pode ajudar a esclarecer os próximos passos, conforme a necessidade do caso.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre a prótese anatômica e a reversa?

A prótese anatômica mantém a disposição habitual da articulação: uma cabeça arredondada no úmero e uma cavidade na escápula. A reversa inverte essa configuração e pode ser considerada quando o manguito rotador, conjunto de tendões que ajuda a movimentar e estabilizar o ombro, não funciona adequadamente. A escolha depende da avaliação individual.

Qual é a melhor prótese de ombro?

Não existe um modelo melhor para todas as pessoas. A prótese anatômica pode ser considerada quando o manguito rotador funciona e as condições ósseas permitem; a reversa pode ser uma opção em situações como lesões extensas e irreparáveis desses tendões. O diagnóstico, os exames, as demandas e as expectativas ajudam a orientar a decisão.

Quanto custa uma prótese de ombro?

O custo varia conforme o tipo de implante, a equipe, o hospital, os materiais e a cobertura do plano de saúde, entre outros fatores. Por isso, não há um valor único que se aplique a todos os casos. Uma estimativa adequada depende da indicação cirúrgica e das condições específicas do paciente.

Quanto tempo dura uma prótese de ombro?

A durabilidade não é igual para todas as pessoas. Ela pode variar conforme o modelo implantado, as condições dos ossos e tecidos, as atividades realizadas e a evolução de cada caso. O acompanhamento clínico ajuda a observar a função do ombro e a identificar mudanças que mereçam investigação.

Como é a recuperação após a colocação de uma prótese no ombro?

A recuperação inclui proteção inicial do ombro e reabilitação orientada, com progressão ajustada ao tipo de implante, à cirurgia e à resposta de cada pessoa. A tipoia e os exercícios devem seguir as instruções da equipe, pois movimentos ou esforços fora do momento adequado podem comprometer o plano de reabilitação.

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Lesões do manguito rotador

Recuperar a força e o movimento começa com o cuidado certo.

A dor ao levantar o braço, a perda de força e as limitações nos gestos simples do dia a dia são sinais clássicos de lesão no manguito rotador. O tratamento é escalonado: inicia-se com fisioterapia orientada, controle da dor e infiltrações específicas.

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Bursite e Tendinite

A bursite é a inflamação da bursa, uma bolsa que reduz o atrito entre tendões e ossos. As principais causas são as alterações estruturais na forma da articulação, desequilíbrio muscular e sobrecarga em atividades esportivas ou de trabalho laborais.

Sintomas: Dor ao movimentar a articulação, piora ao deitar e perda de força em casos graves.

Tratamento: Conservador com repouso, medicação, fisioterapia e orientações. Em casos com maior gravidade, tratamentos minimamente invasivos com infiltração ou até mesmo cirurgia por vídeoartroscopia podem ser utilizados.

Tendinite

A tendinite é a inflamação dos tendões, estruturas que conectam músculos aos ossos. No ombro, afeta frequentemente os tendões do manguito rotador e do bíceps. No cotovelo, está relacionada às epicondilites lateral e medial.

Causas: Traumas ou esforço repetitivos, alterações anatômicas e desequilíbrios musculares.

Sintomas: Dor ao movimentar o ombro, piora ao deitar e perda de força em casos graves.

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico: é baseado no exame médico detalhado e exames de imagem.

Tratamento: depende do estágio da doença, variando desde uso de medicamentos, fisioterapia e exercícios rotineiros, podendo passar por infiltrações para alívio da dor, até chegar ao tratamento cirúrgico em casos mais graves.

Prevenção

Exercícios regulares, alongamento, fortalecimento muscular e boa postura ajudam a prevenir bursite e tendinite.

Luxações do Ombro

Causas e Fatores de Risco

A luxação do ombro ocorre quando há deslocamento entre os ossos da articulação, sendo a mais comum do corpo devido à sua grande mobilidade. Já a instabilidade do ombro é a sensação de que o ombro pode sair do lugar, podendo ser causada por traumas, microtraumas repetitivos (comuns em atletas) ou hipermobilidade articular.

Traumas diretos: quedas, esportes de contato e acidentes.

Hipermobilidade Articular (“frouxidão ligamentar”): condição que predispõe a luxações sem necessidade de trauma.

Tipos de Luxações

Traumática: mais comum, causada por impactos.

Atraumática: ocorre sem histórico de trauma significativo.

Direção da Luxação:

As luxações anteriores são as mais frequente Anterior (90% dos casos), causadas em sua maioria por traumas com o “braço aberto”.

Luxações posteriores: menos frequentes, podem ser causadas por traumas diretos no ombro assim como por microtrauma de repetição principalmente em atividades esportivas como natação, academia e lutas.

Multidirecional (mais comum em pessoas com hipermobilidade).

O diagnóstico exige a experiência de um especialista para orientar os exames mais adequados e assim orientar um tratamento personalizado visando devolver o paciente às suas atividades habituais.

Inicialmente o tratamento clínico visa o fortalecimento muscular e orientações de adaptações nas atividades diárias e gestos esportivos. Para aqueles que apresentam episódios de deslocamento recorrente após lesão traumática inicial, o tratamento muitas vezes requer abordagem cirúrgica para restabelecer a estabilidade e confiança do paciente na realização de suas atividades laborais e esportivas. O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para evitar recorrências e complicações.

Epicondilite Lateral

A epicondilite lateral, conhecida como “cotovelo do tenista”, é a principal causa de dor na lateral do cotovelo, afetando entre 1% e 3% da população, especialmente adultos de meia-idade. Apesar do nome, não é exclusiva de tenistas, sendo comum em pessoas que realizam movimentos repetitivos do punho, como digitadores, trabalhadores manuais e praticantes de esportes como tênis, golfe e musculação.

O estresse repetitivo no movimento de extensão do punho e dedos da mão causam um processo de inflamação e degeneração na origem dos músculos extensores na região lateral do cotovelo, especialmente o tendão do músculo extensor radial curto do carpo (ERCC).

Causas e Fatores de Risco

Movimentos repetitivos e sobrecarga podem dificultar a regeneração dos tendões, levando a um processo de degeneração crônico, inflamação e até pequenos rompimentos.

Sintomas

Dor na lateral do cotovelo, que pode ser sentida ao tocar a região (epicôndilo lateral).

Dor ao carregar ou levantar objetos.

Desconforto ao estender o punho contra resistência.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e exame físico.

O tratamento pode incluir fisioterapia, imobilização temporária do punho, medicação e, em casos mais graves, procedimentos minimamente invasivos.

A reabilitação adequada e o ajuste das atividades são fundamentais para prevenir recorrências.

Tendinite Calcárea

A tendinite calcárea é uma condição dolorosa do ombro causada pelo depósito de cálcio nos tendões, afetando principalmente os tendões do manguito rotador no ombro, em especial o supra-espinal e, em menor grau, o do infra-espinhal.

Causas e Fatores de Risco

A origem da calcificação ainda não é totalmente compreendida.

Pode estar relacionada a tendinites prévias. Mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos.

Sintomas mais comuns

Dor repentina e de forte intensidade, que pode irradiar para o braço, e limitação de movimentos.

Dor variável: pode ser leve e crônica, durando meses, ou intensa e repentina, especialmente na fase de reabsorção da calcificação.

Dificuldade de movimentação do ombro em casos mais avançados.

Diagnóstico e Tratamento

Radiografia (Rx simples) é o exame principal para identificar a calcificação.

Ultrassom e ressonância magnética auxiliam em casos mais complexos, avaliando possíveis lesões associadas.

O tratamento depende da fase da doença e pode incluir medicação, fisioterapia e, em alguns casos, procedimentos minimamente invasivos.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são essenciais para aliviar os sintomas e restaurar a função do ombro.

Capsulite Adesiva

A capsulite adesiva, ou “ombro congelado”, é uma síndrome caracterizada por dor intensa e perda progressiva dos movimentos do ombro. Ocorre devido a um processo inflamatório intenso e crônico que provoca aderências na cápsula articular, reduzindo a quantidade de liquido articular, limitando a mobilidade da articulação.

Causas e Fatores de Risco

Pode ter origem autoimune ou genética, embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida. Na maioria das vezes não tem causa aparente.

Afeta principalmente mulheres entre 40 e 60 anos.

Está associada a doenças como diabetes, disfunções da tireoide, doenças cardiovasculares, ansiedade e depressão.

Pode ocorrer após traumas, imobilizações prolongadas ou cirurgias.

Sintomas Principais

Dor progressiva no ombro, mais intensa à noite, prejudicando o sono, limitação dos movimentos, especialmente das rotações interna e externa, dificultando atividades diárias como vestir roupas e pentear o cabelo.  o cabelo.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é baseado no exame médico detalhado e exames de imagem.

O tratamento depende do estágio da doença, variando desde uso de medicamentos, fisioterapia e exercícios rotineiros, podendo passar por infiltrações para alívio da dor, até chegar ao tratamento cirúrgico em casos mais graves.

Evolução da Doença (4 Estágios)

Pré-congelamento: dor noturna sem perda de mobilidade significativa.

Congelamento: dor intensa e início da restrição dos movimentos.

Maturação: redução da inflamação, melhora parcial da dor e rigidez articular severa.

Descongelamento: melhora da dor, e melhora gradual da mobilidade.

O diagnóstico precoce e tratamento adequado são essenciais para evitar a progressão da doença, que pode durar até dois anos de evolução, possibilitando assim o restabelecimento da função e recuperar a funcionalidade do ombro.

Lesão dos Tendões do Manguito Rotador

O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos responsáveis pela estabilidade e mobilidade do ombro. Suas lesões, principalmente no tendão supraespinhal, são uma das principais causas de dor e limitação funcional.

Sintomas mais comuns: dor ao levantar o braço e com piora no período noturno, dificuldade em movimentar o ombro além de perda de força.

Causas: degeneração natural, impacto repetitivo, alterações anatômicas, tabagismo, fatores genéticos ou traumas.

Quem: As lesões causadas pelo processo degenerativo natural fazem com que as pessoas com idade acima de 60 anos tenham maior chance apresentar o problema. Trabalhos com esforço repetitivo e atividades esportivas também podem ser um fator de risco.

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico: exame clínico detalhado e exames de imagem como radiografia, ultrassom e ressonância magnética confirmam o diagnóstico.

Tratamento: inicialmente as medidas não cirúrgicas como fisioterapia, medicação e infiltrações são indicadas. Casos mais graves e que não melhora podem exigir cirurgia. Técnicas minimamente invasivas como a artroscopia são uma ótima opção de tratamento cirúrgico.

Recuperação: pós-operatório inclui imobilização inicial e reabilitação precoce progressiva, podendo levar até seis meses para retorno completo às atividades.

A prevenção inclui exercícios regulares, fortalecimento muscular e cuidados com movimentos repetitivos. Para um diagnóstico preciso e tratamento adequado, procure um especialista em cirurgia de ombro e cotovelo.