Preparação clínica de plasma rico em plaquetas para avaliação ortopédica do ombro

PRP na ortopedia: usos atuais e limites no Brasil

O plasma rico em plaquetas, conhecido como PRP, é preparado a partir do sangue do próprio paciente e pode ser usado em algumas situações ortopédicas. No Brasil, a regulamentação atual prevê condições específicas, mas não autoriza concluir que o método sirva para qualquer lesão ou dor no ombro e no cotovelo.

Em resumo: o PRP tem indicações específicas, não universais

  • O PRP concentra componentes do sangue e é aplicado conforme uma indicação clínica.
  • A Resolução CFM nº 2.464/2026 prevê usos em condições definidas, entre elas a epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista.
  • O manguito rotador não aparece entre as condições listadas nessa resolução. A avaliação médica é essencial antes de considerar o procedimento.
  • O PRP não substitui automaticamente fisioterapia, reabilitação ou outros tratamentos indicados.

O que é o PRP e como é preparado?

PRP é a sigla para plasma rico em plaquetas. Em termos simples, uma amostra de sangue é processada para separar uma fração com concentração de plaquetas. Essa preparação pode ser aplicada em uma região específica, de acordo com a indicação médica.

Embora o material venha do próprio paciente, isso não significa que o procedimento seja isento de riscos ou que funcione da mesma forma em todas as pessoas. A concentração e a composição podem variar conforme o método de preparo. Por isso, o nome PRP, sozinho, não esclarece qual produto será utilizado nem qual benefício se espera.

O que a regulamentação brasileira prevê atualmente?

Desde 2026, a Resolução CFM nº 2.464 estabelece condições específicas para o uso do PRP na prática médica. Entre elas estão osteoartrite do joelho, discopatia lombar, reparo meniscal e epicondilite lateral do cotovelo. A inclusão de uma condição não significa que o tratamento seja adequado para todos os pacientes com esse diagnóstico.

Condição O que isso significa para o paciente
Epicondilite lateral Está entre as condições previstas; a indicação depende da avaliação e do quadro individual.
Lesões do manguito rotador Não estão entre as condições listadas na resolução citada; não se deve presumir indicação rotineira.
Outras dores no ombro ou cotovelo A dor, por si só, não define se o PRP é apropriado.

O PRP pode ser indicado para ombro ou cotovelo?

No cotovelo, a epicondilite lateral está entre as condições contempladas pela regulamentação. Ainda assim, é preciso confirmar o diagnóstico e discutir opções, benefícios esperados e limitações. Dor na região não basta para indicar uma infiltração.

Para o ombro, a resolução não inclui lesões do manguito rotador entre as condições previstas. Isso torna especialmente importante não extrapolar informações sobre outras articulações para uma lesão diferente. Exame clínico e, quando necessários, exames de imagem ajudam a definir a causa dos sintomas e as alternativas adequadas.

Ortopedista conversa com paciente sobre avaliação individual de dor no ombro ou cotovelo

O tratamento funciona e quais são seus limites?

O benefício do PRP depende da condição tratada, da seleção do paciente e do preparo utilizado. Não é possível prometer alívio, regeneração completa ou um prazo fixo de recuperação. A decisão deve considerar também opções como ajuste de atividades, controle da dor e reabilitação.

No acompanhamento do Dr. Oreste Carrazzone, a avaliação individual e a definição de um plano para ombro ou cotovelo orientam a escolha do cuidado. Isso não significa que o PRP seja indicado para toda queixa ou oferecido como solução universal. O paciente pode perguntar qual é o objetivo do procedimento, quais alternativas existem e como será acompanhado.

Perguntas frequentes

O que é uma injeção de PRP?

O PRP é um concentrado preparado a partir de uma amostra do próprio sangue do paciente. Após o processamento, a fração rica em plaquetas pode ser aplicada na região indicada. A composição varia conforme o preparo, e a aplicação deve fazer parte de um plano definido após avaliação médica.

O PRP é permitido no Brasil?

Sim, há regulamentação do Conselho Federal de Medicina para o uso do PRP em situações específicas. A Resolução CFM nº 2.464/2026 prevê condições como osteoartrite do joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral e reparo meniscal. Isso não significa que o procedimento seja indicado para qualquer dor ou articulação.

O PRP pode ser usado para dor no ombro?

A regulamentação citada não inclui lesões do manguito rotador entre as condições previstas. Isso não permite concluir que o PRP seja apropriado para toda dor no ombro. O diagnóstico, as alternativas disponíveis e as regras aplicáveis ao caso devem ser discutidos com um ortopedista antes de considerar qualquer procedimento.

Quais são os riscos e as limitações do PRP?

Como envolve coleta de sangue e aplicação, o PRP pode causar dor ou desconforto local, hematoma e sangramento. Infecção também é uma possibilidade. O benefício não é garantido e pode variar conforme a condição, o preparo e o paciente. Converse com o médico sobre riscos e alternativas antes de decidir.

Nossos

Últimos artigos:

Bursites e tendinites

Alívio da dor e equilíbrio do movimento em cada gesto.

A inflamação nos tendões e bursas causa dor e dificuldade nos movimentos articulares. O tratamento é focado em controlar a inflamação, ajustar a carga nas articulações e corrigir a biomecânica por meio de exercícios específicos.

O objetivo é devolver conforto e função, prevenindo novas crises e promovendo uma recuperação completa e duradoura.

Luxação do ombro

Estabilidade e confiança para voltar a se movimentar sem medo.

A sensação de que o ombro “sai do lugar” gera insegurança e limita atividades simples. A reabilitação busca restaurar o controle muscular e a estabilidade da articulação.

Em casos recorrentes a cirurgia pode ser o caminho. A reconstrução artroscópica oferece correção precisa e duradoura. O tratamento devolve segurança, permitindo retomar esportes, trabalho e rotina com confiança e tranquilidade.

Epicondilite lateral

Força e desempenho recuperados com reabilitação direcionada.

Dor na região lateral do cotovelo ao segurar ou levantar objetos pode indicar uma sobrecarga nos tendões. O tratamento combina orientação especializada, carga terapêutica progressiva, órteses e estratégias para reequilíbrio muscular.

Quando necessário, procedimentos minimamente invasivos ajudam na recuperação. O foco é eliminar a dor, restaurar a força e devolver confiança aos movimentos diários e esportivos.

Tendinite calcária

Alívio da dor e remoção do cálcio para um ombro sem limitações.

O acúmulo de cálcio nos tendões do ombro causa dor intensa e restrição de movimento. O tratamento busca controlar a inflamação e reabsorver os depósitos com segurança — seja por medicamentos, fisioterapia ou procedimentos minimamente invasivos.

Quando a dor persiste, a artroscopia remove o cálcio e restaura a função articular. O foco é aliviar o desconforto e devolver a liberdade de movimentar-se sem dor.

Capsulite adesiva - "Ombro Congelado"

Movimento recuperado com paciência, terapias e cuidado contínuo.

A capsulite adesiva causa dor intensa e rigidez progressiva no ombro, tornando até tarefas simples um desafio. O tratamento combina analgesia, mobilização e exercícios para devolver a amplitude dos movimentos.

Nos casos mais resistentes, bloqueios e infiltrações, assim como a liberação artroscópica podem acelerar o processo de recuperação. Cada etapa é planejada para aliviar a dor e reconquistar a liberdade funcional do ombro de forma segura e gradual.

Lesões do manguito rotador

Recuperar a força e o movimento começa com o cuidado certo.

A dor ao levantar o braço, a perda de força e as limitações nos gestos simples do dia a dia são sinais clássicos de lesão no manguito rotador. O tratamento é escalonado: inicia-se com fisioterapia orientada, controle da dor e infiltrações específicas.

Quando necessário, a artroscopia permite reparar os tendões com mínima agressão. O objetivo é restaurar mobilidade, força e qualidade de vida — devolvendo liberdade para cada movimento.

Bursite e Tendinite

A bursite é a inflamação da bursa, uma bolsa que reduz o atrito entre tendões e ossos. As principais causas são as alterações estruturais na forma da articulação, desequilíbrio muscular e sobrecarga em atividades esportivas ou de trabalho laborais.

Sintomas: Dor ao movimentar a articulação, piora ao deitar e perda de força em casos graves.

Tratamento: Conservador com repouso, medicação, fisioterapia e orientações. Em casos com maior gravidade, tratamentos minimamente invasivos com infiltração ou até mesmo cirurgia por vídeoartroscopia podem ser utilizados.

Tendinite

A tendinite é a inflamação dos tendões, estruturas que conectam músculos aos ossos. No ombro, afeta frequentemente os tendões do manguito rotador e do bíceps. No cotovelo, está relacionada às epicondilites lateral e medial.

Causas: Traumas ou esforço repetitivos, alterações anatômicas e desequilíbrios musculares.

Sintomas: Dor ao movimentar o ombro, piora ao deitar e perda de força em casos graves.

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico: é baseado no exame médico detalhado e exames de imagem.

Tratamento: depende do estágio da doença, variando desde uso de medicamentos, fisioterapia e exercícios rotineiros, podendo passar por infiltrações para alívio da dor, até chegar ao tratamento cirúrgico em casos mais graves.

Prevenção

Exercícios regulares, alongamento, fortalecimento muscular e boa postura ajudam a prevenir bursite e tendinite.

Luxações do Ombro

Causas e Fatores de Risco

A luxação do ombro ocorre quando há deslocamento entre os ossos da articulação, sendo a mais comum do corpo devido à sua grande mobilidade. Já a instabilidade do ombro é a sensação de que o ombro pode sair do lugar, podendo ser causada por traumas, microtraumas repetitivos (comuns em atletas) ou hipermobilidade articular.

Traumas diretos: quedas, esportes de contato e acidentes.

Hipermobilidade Articular (“frouxidão ligamentar”): condição que predispõe a luxações sem necessidade de trauma.

Tipos de Luxações

Traumática: mais comum, causada por impactos.

Atraumática: ocorre sem histórico de trauma significativo.

Direção da Luxação:

As luxações anteriores são as mais frequente Anterior (90% dos casos), causadas em sua maioria por traumas com o “braço aberto”.

Luxações posteriores: menos frequentes, podem ser causadas por traumas diretos no ombro assim como por microtrauma de repetição principalmente em atividades esportivas como natação, academia e lutas.

Multidirecional (mais comum em pessoas com hipermobilidade).

O diagnóstico exige a experiência de um especialista para orientar os exames mais adequados e assim orientar um tratamento personalizado visando devolver o paciente às suas atividades habituais.

Inicialmente o tratamento clínico visa o fortalecimento muscular e orientações de adaptações nas atividades diárias e gestos esportivos. Para aqueles que apresentam episódios de deslocamento recorrente após lesão traumática inicial, o tratamento muitas vezes requer abordagem cirúrgica para restabelecer a estabilidade e confiança do paciente na realização de suas atividades laborais e esportivas. O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para evitar recorrências e complicações.

Epicondilite Lateral

A epicondilite lateral, conhecida como “cotovelo do tenista”, é a principal causa de dor na lateral do cotovelo, afetando entre 1% e 3% da população, especialmente adultos de meia-idade. Apesar do nome, não é exclusiva de tenistas, sendo comum em pessoas que realizam movimentos repetitivos do punho, como digitadores, trabalhadores manuais e praticantes de esportes como tênis, golfe e musculação.

O estresse repetitivo no movimento de extensão do punho e dedos da mão causam um processo de inflamação e degeneração na origem dos músculos extensores na região lateral do cotovelo, especialmente o tendão do músculo extensor radial curto do carpo (ERCC).

Causas e Fatores de Risco

Movimentos repetitivos e sobrecarga podem dificultar a regeneração dos tendões, levando a um processo de degeneração crônico, inflamação e até pequenos rompimentos.

Sintomas

Dor na lateral do cotovelo, que pode ser sentida ao tocar a região (epicôndilo lateral).

Dor ao carregar ou levantar objetos.

Desconforto ao estender o punho contra resistência.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e exame físico.

O tratamento pode incluir fisioterapia, imobilização temporária do punho, medicação e, em casos mais graves, procedimentos minimamente invasivos.

A reabilitação adequada e o ajuste das atividades são fundamentais para prevenir recorrências.

Tendinite Calcárea

A tendinite calcárea é uma condição dolorosa do ombro causada pelo depósito de cálcio nos tendões, afetando principalmente os tendões do manguito rotador no ombro, em especial o supra-espinal e, em menor grau, o do infra-espinhal.

Causas e Fatores de Risco

A origem da calcificação ainda não é totalmente compreendida.

Pode estar relacionada a tendinites prévias. Mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos.

Sintomas mais comuns

Dor repentina e de forte intensidade, que pode irradiar para o braço, e limitação de movimentos.

Dor variável: pode ser leve e crônica, durando meses, ou intensa e repentina, especialmente na fase de reabsorção da calcificação.

Dificuldade de movimentação do ombro em casos mais avançados.

Diagnóstico e Tratamento

Radiografia (Rx simples) é o exame principal para identificar a calcificação.

Ultrassom e ressonância magnética auxiliam em casos mais complexos, avaliando possíveis lesões associadas.

O tratamento depende da fase da doença e pode incluir medicação, fisioterapia e, em alguns casos, procedimentos minimamente invasivos.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são essenciais para aliviar os sintomas e restaurar a função do ombro.

Capsulite Adesiva

A capsulite adesiva, ou “ombro congelado”, é uma síndrome caracterizada por dor intensa e perda progressiva dos movimentos do ombro. Ocorre devido a um processo inflamatório intenso e crônico que provoca aderências na cápsula articular, reduzindo a quantidade de liquido articular, limitando a mobilidade da articulação.

Causas e Fatores de Risco

Pode ter origem autoimune ou genética, embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida. Na maioria das vezes não tem causa aparente.

Afeta principalmente mulheres entre 40 e 60 anos.

Está associada a doenças como diabetes, disfunções da tireoide, doenças cardiovasculares, ansiedade e depressão.

Pode ocorrer após traumas, imobilizações prolongadas ou cirurgias.

Sintomas Principais

Dor progressiva no ombro, mais intensa à noite, prejudicando o sono, limitação dos movimentos, especialmente das rotações interna e externa, dificultando atividades diárias como vestir roupas e pentear o cabelo.  o cabelo.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é baseado no exame médico detalhado e exames de imagem.

O tratamento depende do estágio da doença, variando desde uso de medicamentos, fisioterapia e exercícios rotineiros, podendo passar por infiltrações para alívio da dor, até chegar ao tratamento cirúrgico em casos mais graves.

Evolução da Doença (4 Estágios)

Pré-congelamento: dor noturna sem perda de mobilidade significativa.

Congelamento: dor intensa e início da restrição dos movimentos.

Maturação: redução da inflamação, melhora parcial da dor e rigidez articular severa.

Descongelamento: melhora da dor, e melhora gradual da mobilidade.

O diagnóstico precoce e tratamento adequado são essenciais para evitar a progressão da doença, que pode durar até dois anos de evolução, possibilitando assim o restabelecimento da função e recuperar a funcionalidade do ombro.

Lesão dos Tendões do Manguito Rotador

O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos responsáveis pela estabilidade e mobilidade do ombro. Suas lesões, principalmente no tendão supraespinhal, são uma das principais causas de dor e limitação funcional.

Sintomas mais comuns: dor ao levantar o braço e com piora no período noturno, dificuldade em movimentar o ombro além de perda de força.

Causas: degeneração natural, impacto repetitivo, alterações anatômicas, tabagismo, fatores genéticos ou traumas.

Quem: As lesões causadas pelo processo degenerativo natural fazem com que as pessoas com idade acima de 60 anos tenham maior chance apresentar o problema. Trabalhos com esforço repetitivo e atividades esportivas também podem ser um fator de risco.

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico: exame clínico detalhado e exames de imagem como radiografia, ultrassom e ressonância magnética confirmam o diagnóstico.

Tratamento: inicialmente as medidas não cirúrgicas como fisioterapia, medicação e infiltrações são indicadas. Casos mais graves e que não melhora podem exigir cirurgia. Técnicas minimamente invasivas como a artroscopia são uma ótima opção de tratamento cirúrgico.

Recuperação: pós-operatório inclui imobilização inicial e reabilitação precoce progressiva, podendo levar até seis meses para retorno completo às atividades.

A prevenção inclui exercícios regulares, fortalecimento muscular e cuidados com movimentos repetitivos. Para um diagnóstico preciso e tratamento adequado, procure um especialista em cirurgia de ombro e cotovelo.