“Fraturei o ombro. Vou precisar operar?” Essa costuma ser uma das primeiras preocupações após uma queda. Apesar da dor e da dificuldade para movimentar o braço, a maioria das fraturas do úmero proximal pode ser tratada sem cirurgia.
Essa lesão acomete a parte superior do osso do braço, próxima à articulação do ombro. Em pacientes idosos, ocorre frequentemente após uma queda da própria altura, especialmente quando existe osteoporose. Em pessoas jovens, pode resultar de acidentes ou traumas esportivos.
Como é definido o tratamento?
As radiografias mostram a localização da fratura e a posição dos fragmentos. A tomografia pode complementar a avaliação nos casos mais complexos.
O ortopedista analisa o deslocamento, a estabilidade, o comprometimento da articulação e possíveis lesões associadas. Algumas classificações descrevem fraturas em duas, três ou quatro partes, considerando os principais segmentos ósseos e seu deslocamento.
O número de partes, isoladamente, não determina a necessidade de operar. A qualidade óssea, a saúde geral, a autonomia e as necessidades funcionais também orientam a decisão.

Como é o tratamento sem cirurgia?
O tratamento conservador envolve proteção do braço, controle da dor e recuperação gradual dos movimentos. Consultas e radiografias de acompanhamento permitem verificar a posição da fratura e sua consolidação.
Tipoia e medicamentos
A tipoia sustenta o braço, proporciona conforto e protege a região. O modelo e o tempo de uso são definidos conforme a estabilidade da fratura e sua evolução.
Medicamentos para dor são prescritos de acordo com os sintomas e as condições de saúde. Compressas frias, com proteção da pele, também podem ajudar inicialmente.
Cuidados para dormir e realizar atividades
Dormir com o tronco um pouco elevado e o braço apoiado em travesseiros costuma ser mais confortável. Evite deitar sobre o ombro lesionado e siga a orientação sobre o uso da tipoia à noite.
Nas primeiras semanas, pode ser necessário auxílio para vestir-se e realizar a higiene. Carregar peso, apoiar-se no braço para levantar e dirigir devem aguardar liberação médica.
Fisioterapia e reabilitação
Os movimentos são retomados progressivamente, conforme a estabilidade da fratura, a dor e os exames de controle. Mão, punho e cotovelo costumam receber orientações de mobilização desde o início; os exercícios do ombro são introduzidos no momento adequado.
Manter o braço imobilizado por tempo excessivo pode favorecer rigidez. Por outro lado, antecipar esforços pode comprometer a posição dos fragmentos. A reabilitação deve equilibrar proteção e movimento.
Quando a cirurgia pode ser necessária?
A cirurgia pode ser indicada em fraturas muito instáveis, deslocamentos que comprometam a função, lesões importantes da cabeça do úmero ou luxação associada. As principais possibilidades são:
- Fixação da fratura: reposiciona e estabiliza os fragmentos, geralmente com placa e parafusos ou, em determinados casos, uma haste.
- Prótese de ombro: substitui as estruturas articulares comprometidas quando a reconstrução não oferece uma perspectiva adequada. A prótese reversa é uma opção em algumas fraturas complexas, especialmente em pacientes idosos.
Os avanços dos implantes ampliaram as opções, mas não tornam a cirurgia necessária para toda fratura.
Quais são os benefícios e os riscos?
O tratamento conservador evita os riscos da operação e, quando bem indicado, pode proporcionar consolidação e função satisfatórias. Entretanto, podem ocorrer deslocamento durante a evolução, consolidação em posição inadequada e rigidez; menos frequentemente, o osso pode não consolidar.
A cirurgia busca melhorar o alinhamento e a estabilidade ou substituir uma articulação muito comprometida. Envolve, porém, riscos de infecção, falha dos implantes e necessidade de novos procedimentos.
Dor persistente, perda de força e limitação dos movimentos podem ocorrer com ambos os tratamentos. A conduta deve ser individualizada, considerando os fatores que influenciam a recuperação e discutindo benefícios, riscos e expectativas com o paciente.
Quanto tempo demora a recuperação?
A consolidação do osso costuma levar aproximadamente seis a doze semanas. Recuperar mobilidade e força exige mais tempo: a evolução funcional pode se estender por seis meses a um ano.
Isso não significa permanecer imobilizado durante todo esse período. As atividades são retomadas por etapas, conforme a evolução. Mesmo com consolidação adequada, nem sempre o ombro recupera exatamente os movimentos anteriores.
Quando procurar atendimento de urgência?
Após uma queda, dor importante e dificuldade para usar o braço justificam avaliação médica. Procure um serviço de emergência sem demora se houver:
- Ferida na região da fratura ou osso exposto.
- Mão fria, pálida ou arroxeada.
- Perda de sensibilidade ou dificuldade nova para movimentar os dedos.
- Deformidade acentuada, pele muito tensionada ou dor intensa e progressiva.
Prevenir novas fraturas também faz parte do tratamento
Uma fratura após queda da própria altura pode indicar fragilidade óssea. Investigar e tratar a osteoporose, quando presente, é tão importante quanto acompanhar a recuperação do ombro.
Fortalecimento muscular, exercícios de equilíbrio, revisão de medicamentos e adaptações no ambiente doméstico ajudam a reduzir o risco de novas quedas.
Além de tratar a fratura atual, é fundamental prevenir a próxima, preservando a mobilidade, a independência e a qualidade de vida.
O Dr. Oreste Carrazzone atua no tratamento de lesões do ombro e cotovelo em São José do Rio Preto. A avaliação especializada permite definir uma conduta individualizada e acompanhar cada etapa da recuperação.